No dia 28 de outubro de 2025, a discente Loyane Mota Fernandes, do Programa de Pós-Graduação Profissional em Engenharia Elétrica (PPEE/UnB), realizou a defesa de seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), intitulado “Desafios da Segurança de Dados em Saúde na Transição para a Computação Quântica: Implicações para a Privacidade no SUS”. A apresentação ocorreu via Teams.
O estudo desenvolvido por Loyane destaca-se pela relevância e atualidade do tema. A transformação digital na saúde — impulsionada por tecnologias como IoT, inteligência artificial e computação em nuvem — tem ampliado a exposição de dados sensíveis. Com o avanço da computação quântica, os modelos criptográficos atuais tendem a se tornar vulneráveis, impondo desafios significativos para a privacidade e a segurança da informação em sistemas de saúde, especialmente no Sistema Único de Saúde (SUS).
A pesquisa analisou como políticas públicas e marcos regulatórios podem se adaptar às ameaças emergentes da era pós-quântica, com foco em privacidade, segurança e accountability. Para isso, adotou uma abordagem qualitativa e exploratória, estruturada em três etapas:
- Revisão sistemática da literatura (2020–2025) seguindo as diretrizes PRISMA 2020.
- Análise comparativa de legislações internacionais, incluindo LGPD, GDPR e HIPAA.
A revisão identificou 23 estudos primários, agrupados em três eixos principais:
- Infraestrutura tecnológica: protocolos pós-quânticos e autenticação contínua;
- Governança e regulação: integração entre inovação tecnológica e conformidade regulatória;
- Métodos avançados de proteção: criptografia baseada em reticulados, QKD e blockchain.
Entre os marcos regulatórios analisados, o GDPR apresentou o caráter mais prescritivo; a LGPD, abordagem intermediária; e a HIPAA, foco setorial. Já no contexto do SUS, observou-se maturidade organizacional inicial, porém com desafios em inventário criptográfico, gestão de chaves e correlação de eventos de segurança.
O estudo conclui que a construção de uma governança quântico-resiliente no SUS exige a integração de soluções técnicas validadas, regulação adaptativa e cultura institucional de accountability. Como contribuição prática, Loyane propõe um roteiro de transição em oito etapas, alinhado ao NIST CSF 2.0 e à LGPD, contemplando inventário criptográfico, adoção híbrida de algoritmos, crypto-agility e capacitação contínua. A autora reforça que a resiliência regulatória pós-quântica deve ser vista como um processo contínuo, que articula ciência, regulação e prática institucional para assegurar segurança e confiança na saúde digital brasileira.
Sobre sua trajetória e contribuição, Loyane destaca:
“Meu trabalho contribui para a sociedade ao propor um modelo de governança quântico-resiliente no Sistema Único de Saúde (SUS), fortalecendo a proteção dos dados pessoais e sensíveis dos cidadãos brasileiros frente aos riscos emergentes da computação quântica. Além disso, o estudo, por meio da integração dos aspectos técnicos, regulatórios e institucionais, oferece um roteiro prático para que organizações públicas possam se preparar para a transição à criptografia pós-quântica, assegurando segurança, transparência e continuidade dos serviços.”